sexta-feira, 23 de abril de 2021
sábado, 31 de outubro de 2020
Nas Páginas: Em busca de Watership Down - Richard Adams
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Nas páginas: Menino de lugar nenhum - David Mitchell
De forma muito sintética podemos dizer que o livro "Menino de lugar nenhum" trata da vida do jovem Jason Taylor ao longo do ano de 1982. Quando temos 13 anos, que é a idade de Jason em 82, vemos o mundo de uma forma ligeiramente distorcida e com o Jason também é assim, talvez até um pouco mais desconjuntada do que normalmente acontece com garotos dessa idade. Aos 13, o tempo passa de uma forma desconjuntada, os acontecimentos, mesmo os simples, parecem assumir proporções gigantescas e há uma sensação opressiva de que a vida continuará daquela forma para sempre. Os mesmos problemas, a mesma rotina, as mesmas dificuldades se repetindo por uma interminável sequência de anos.
Jason trava ao falar (ele não gagueja, mas trava em algumas palavras, embora sejam coisas diferentes, algumas pessoas costumam confundir), sofre bullying na escola e pressente que há alguma coisa errada com sua família, embora ele não seja capaz de encontrar um sentido maior nos desencontros que ocorrem frequentemente (entre os pais e entre Jason e sua irmã mais velha). Talvez esses sejam problemas que assolam uma boa porção de garotos dessa idade, tanto os problemas de popularidade e as agressões morais quanto a incapacidade de compreender o mundo dos mais velhos, sim, eles vivem em um mundo aparentemente impenetrável para quem tem 13 anos. Por isso, é quase certo que os leitores, mesmo os que tiveram êxito social na juventude, não sofreram bullying e tiveram uma família imune a desencontros, vão acabar se identificando com Jason Taylor.
Gostaria de destacar dois aspectos da história que mais chamaram minha atenção. O primeiro é o constante empenho de Jason em suprimir suas características que poderiam ser encaradas como "bichice". É triste perceber como a pressão social e a necessidade de aprovação dos outros são capazes de prejudicar a vida de um garoto e fazer com que ele esconda quem ele realmente é. Já a segunda trata da relação de Jason com a literatura. O talento de Jason para a poesia (uma bichice sem tamanho, de acordo com os cascas-grossas do colégio) acaba sendo uma das características que ele se esforça para suprimir, objetivando não dar mais um motivo para ser marginalizado pelos outros alunos da escola, afinal de contas, já havia motivos mais do que suficientes. Ao longo do livro, percebe-se que a poesia é algo intrínseco à personalidade de Jason, como um desejo que surge espontaneamente. Mesmo com todo o elaborado esforço para mantê-la escondida, a poesia simplesmente faz parte de Jason e se manifesta subitamente em sua mente. Um dos capítulos mais interessantes do livro, "Solário", enfoca exatamente esse talento. Nele, Jason encontra, por acaso, uma espécie de guia para sua poesia, Madame Crommelynck. As conversas entre os dois envolvem temas como a natureza da arte, da poesia e o significado do tempo. Essas discussões são intrigantes e nos fazem perceber o quanto a ingenuidade e a sinceridade podem estar próximas do conhecimento.
Por tudo isso, gostaria de agradecer ao David Mitchell por ter escrito algo tão surpreendente e ao mesmo tempo tão próximo e familiar para todos nós (sabe aquele papo de encontrar o universal no particular?). Agradeço por ter conhecido Jason Taylor e por ter sentado ao lado dele rumo à escola, mesmo ele sendo considerado um completo verme.
terça-feira, 17 de março de 2020
Nas Manhãs: Coisas de 2019
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Projeto de Leitura 2019
um
Decidi, ainda em 2018, que meu primeiro livro de 2019 seria do Amós Oz. Ele morreu dia 28 de Dezembro e, apesar de eu ter lido apenas um livro dele (e ter uma história interessante para contar acerca disso), fiquei bastante chateado. Tenho outros livros do Oz e quero ler todos eles, mas o escolhido foi Meu Michel (Companhia das Letras - 2002 - 304 páginas) que, inclusive, está listado entre os 1001 livros para ler antes de morrer.
dois
Mais um Murakami. Em 2018, eu inaugurei meu relacionamento com o Murakami lendo O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de Peregrinação e foi uma experiência muito legal. Na época (foi o meu primeiro livro de 2018), eu não possuía a edição física de nenhum livro do Murakami, mas agora eu já possuo e não poderia deixar passar a oportunidade de ter uma relação carnal com algum livro dele. O escolhido da vez foi Kafka à Beira Mar (Alfaguara - 2008 - 576 páginas) que, por coincidência, também está entre os 1001 livros para ler antes de morrer.
três
Meu terceiro autor escolhido foi Salman Rushdie. Desde quando li Haroun e O Mar de Histórias que persigo os livros do Rushdie em toda promoção que aparece. Depois de já ter acumulado alguns, acho que é hora de ler mais um dele. No entanto, ainda não decidi qual será. Inicialmente, eu havia pensado em ler A Feiticeira de Florença (Companhia das Letras - 2008 - 403 páginas), mas refletindo com mais cuidado, Vergonha (Companhia das Letras - 2010 - 376 páginas), que está entre os 1001 livros para ler antes de morrer, e Dois Anos, Oito Meses e 28 Noites (Companhia das Letras - 2016 - 336 páginas) surgiram como opções muito interessantes.
quatro
É a vez de um livro de uma autora de quem nunca li uma página sequer. Seja bem vinda, Donna Tartt. Escolhi começar não pelo queridinho de grande parte do mundo, O Pintassilgo, mas pelo pitoresco A História Secreta (Companhia das Letras - 2014 - 520 páginas). Não sei muito sobre a trama desse livro, mas uma trama envolvendo um grupo de estudantes já desperta minha curiosidade, além do surpreendente fato de ele estar entre os 1001 livros para ler antes de morrer. Espero que minha relação com a Tartt seja próspera e duradoura depois desse aqui.
cinco
Serei direto: O Legado da Família Winshaw (Record - 2002 - 560 páginas) Minha história com o Jonathan Coe sofreu com os caminhos perversos do destino. Em primeiro lugar, eu gostaria de ler Bem-Vindo ao Clube, mas esse livro está absolutamente esgotado em todas as livrarias que existem no mundo. Aí, em segundo lugar, também o segundo desencontro. Motivado em parte pela indicação entusiasmada do skoober Higor, me interessei pelo A Casa do Sono. Oh inocência! Comprei, o livro veio todo oxidado, solicitei a troca, o novo exemplar veio ainda mais oxidado; enfurecido, devolvi o livro e pedi meu dinheiro de volta. Fiquei sem. Então, diante de tantos obstáculos, acho que é hora de consumar essa relação com o Coe.
seis
Não poderia deixar de fora minha leitura anual de A Roda do Tempo. Em 2018 li O Dragão Renascido e foi sensacional, sério. Esse terceiro volume, para mim, fecha uma espécie de arco em que Rand descobre, questiona (na verdade, nega) e, por fim, confirma que ele é mesmo o dragão renascido. Vários personagens, sobretudo as garotas, se desenvolveram de forma empolgante e assumiram de vez seu protagonismo na saga no terceiro volume. Minha ansiedade pelo Ascensão da Sombra (Intrínseca - 2015 - 991 páginas) não poderia ser maior. Segundo o Jeffu, esse é o melhor volume entre os já lançados aqui (até o sexto) e eu só quero voltar para essa história e não sair mais de lá.
sete
Quero ler Pepetela neste ano. Tenho dois livros dele, O Tímido e As Mulheres (Leya - 2014 - 304 páginas) e Lueji (Leya - 2015 - 464 páginas). Será um desses dois. O primeiro parece ser uma trama mais corriqueira, contemporânea, talvez, uma história sobre o cotidiano, já o segundo é uma trama mais épica, o subtítulo "O nascimento de um império" é capaz de fazer as pernas bambearem. Além disso, tempos, no primeiro, um homem protagonista e, no segundo, uma mulher. Deixarei nas mãos do destino a decisão a escolha sobre qual lerei.
oito
HQs. Em 2018, eu me propus a dar continuidade na minha leitura de Sandman e falhei miseravelmente. Cobicei iniciar a leitura do primeiro volume de Promethea e fracassei vergonhosamente. No entanto, na proposta de ler 4 graphic novels, não me saí tão mal. Das 4, li 3 e foram leituras muito acima da média. Diante disso, além de trazer Habibi (Quadrinhos na Cia - 2012 - 672 páginas) como herança de 2018, proponho a leitura de mais 3 graphic novels: Repeteco (Quadrinhos na Cia - 2016 - 336 páginas), Maus (Quadrinhos na Cia - 2013 - 296 páginas) e Umbigo Sem Fundo (Quadrinhos na Cia - 2009 - 720 páginas).
nove
É o momento de cumprir promessas. Eu havia prometido que leria Murilo Rubião: obra completa (Companhia das Letras - 2016 - 288 páginas) e farei isso neste ano. Desde a minha postagem "Lembra do Realismo Fantástico?" que o Murilo me olha torto, pelo simples fato de eu ter enrolado a leitura de seu único livro. Essa desavença precisa acabar! Já paguei minha dívida com o José J. Veiga e é hora de ficar quite com o Rubião também.
dez
A maior herança de 2018: Crime e Castigo (Editora 34 - 2009 - 562 páginas). Preciso ler! Preciso ler! Preciso ler! Dostoiévski, por favor, possua a minha vida, ela é todo sua. Espero do fundo do meu coração de malandro conseguir ler Crime e Castigo neste ano, caso isso não ocorra, não por culpa minha, claro, mas por obra de pura maldade do destino, continuarei colocando esse livro em cada projeto de leitura que eu fizer ao longo de todos os anos da minha vida.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
No Uai Lipe: Coisas de 2018

Os dois grandes fracassos vêm em terceiro lugar. A leitura conjunta de Wicked, que ficou até sem um desfecho no blog, e a leitura do livro Histórias para Crianças do Issac Bashevis Singer. Embora eu tenha terminado a leitura de Wicked no prazo e cumprido o cronograma, os outros participantes desistiram e não terminaram a leitura (apenas o Matheus conseguiu chegar até o fim, mas com algumas semanas de atraso). Tenho que admitir que o livro, apesar de ter momentos muito interessantes, não faz jus a tudo o que eu havia lido, assistido e ouvido acerca dessa história. Elfaba, desculpe, mas seu livro não é bom. Senti o impacto desse fracasso, e até um pouco de culpa, mas superei e já estou querendo o volume 2 de Wicked (mentira!). Já a leitura de um conto por dia do livro do Bashevis foi um fracasso daqueles que vai fazer com que eu me torne um fantasma e venha assombrar as pessoas, caso eu não termine esse livro neste ano. Li poucos contos e acabei deixando o livro para lá. Uma das razões para que isso tenha ocorrido, além da minha pura e simples falta de foco, foi a minha decepção com alguns contos. Parte deles é muito simples, repetitiva e parece ter sido escrita para ser ouvida e não lida. Sim, mais dois fracassos vergonhosos para a conta de 2018.
Espero que em 2019 este blog continue sendo meu companheiro e que eu possa repetir o que me trouxe satisfação, encontrar novas formas de sucesso e transformar os fracassos em combustível para novos acertos. Foram 35 postagens publicadas, algumas ficaram só no rascunho, e desejo que em 2019, eu possa fazer ainda mais. Certamente haverá outra maratona do Oscar e, em alguns dias, o projeto de leituras 2019 aparecerá por aqui.
sábado, 29 de dezembro de 2018
Nas Páginas: Todos Os Dias Mortos de Dois Mil e Dezoito
quinta-feira, 8 de novembro de 2018
No Desafio: 4 livros em 4 dias - O Quinze, Garp, Cabo de Vassoura, O Gigante Enterrado
Dia 08-11-2018 / Quinta-feira / Livro Velho
Dia 09-11-2018 / Sexta-feira / Livro Novo
Título: O Mundo Segundo Garp
Título Original: The World According to Garp
Autor: John Irving
Ano da Publicação: 1976
Ano da edição: 2013
Editora: Rocco
607 páginas
O Mundo Segundo Garp é minha leitura atual e dizer que ela está caminhando vagarosamente é ser bondoso, ela está seguindo muito, muito devagar. Encontrei o John Irving na dedicatória do livro As fúrias Invisíveis do Coração e, depois de alguma pesquisa, descobri que o Garp é seu livro mais conhecido e premiado. Nele, acompanhei até agora a saga de Garp e de sua mãe, Jenny. Os dois decidiram ser escritores, mas de formas e por motivos bastante distintos. Na verdade, Jenny, apesar de ser enfermeira e de gostar disso, decidiu apenas escrever sua autobiografia, Uma Suspeita Sexual. Ela nunca quis seguir uma carreira literária, mas se sentia com algo importante a dizer. Jenny era uma mulher excêntrica e, talvez, muito progressista para sua época, prova disso é a concepção pouco usual de Garp. Assim, por incorporar essas questões, a autobiografia de Jenny acabou por se tornar o símbolo de um grande levante feminista e de uma onda de empoderamento feminino. Jenny se tornou um ícone desses movimentos. Já Garp, até onde já li, teve uma trajetória literária mais tortuosa. Ele decidiu se tornar escritor para se casar com a filha de seu treinador de luta livre, já que ela havia lhe dito despretensiosamente que gostaria de se casar com um escritor. A ideia surgiu daí, mas, ao longo dos anos, ela foi se moldando e fortalecendo ou fraquejando, em alguns momentos. Ainda estou na metade do livro e, por enquanto, Garp publicou seu primeiro romance, Procrastinação, que obteve sucesso mediano, e um segundo romance, O segundo Fôlego do Corno, que foi um quase total fiasco. Creio que a obra magna do nosso protagonista está na segunda metade do livro. Escolhi o Garp para o posto de "Livro Novo" por ser minha leitura atual e por consistir de uma história sobre um escritor, que é algo que tem chamado minha atenção ultimamente.
Desafiado: Jeffu. Ele será o desafiado porque um trecho do livro lembrou-me um conto que o Jeffu escreveu há uns anos. A protagonista do tal conto era uma prostituta (ela se chamava Amélia?) e, quando Garp e Jenny passam uma temporada em Viena, há a participação de uma prostituta muito elegante, que contribui de forma decisiva para a definição do tom que conduziria a autobiografia de Jenny. Infelizmente, esse arco da prostituta tem um desfecho trágico. Torço para que o Garp use isso em um dos seus romances que aparecerão na segunda metade do livro.
Dia 10-11-2018 / Sábado / Livro Emprestado
Título: Memórias de Um Cabo de Vassoura
Autor: Orígenes Lessa
Ano da Publicação: 1969
Editora: Ediouro Jovem
102 páginas
Leitura: Fevereiro/2011
Tenho muitas lembranças que envolvem esse livro. Desde quando aprendi a ler, minha mãe se empenhou em fazer com que eu o lesse. Infelizmente, eu resisti a todas essas tentativas. Eu me lembro de até ter tentado ler, no entanto, o livro não "aconteceu" para mim naquela época. Em minha casa nunca houve fartura de livros, na verdade, eu me lembro de 2: uma edição antiga de E O Vento Levou, que minha mãe parecia nunca terminar de ler, e o humilde Memórias de Um Cabo de Vassoura. Ainda não tive vontade de ler o primeiro, entretanto, já depois de crescido e consciente de que uma das minhas missões aa terra era ler o livro sobre o cabo de vassoura, tomei a iniciativa, peguei o livro emprestado com minha mãe e li em Fevereiro de 2011. No livro, acompanhamos literalmente a jornada de um cabo de vassoura, talvez seja uma espécie de coming of age de um cabo de vassoura. Eu diria que é uma espécie de autobiografia que vai nos guiando pelos momentos amargos e felizes, que nunca imaginamos que a vida de um cabo de vassoura pudesse ter. Enquanto o próprio cabo nos conta sua história, há várias oportunidades de refletirmos sobre a exploração de madeira e o uso consciente dela. Gostaria de destacar alguns momentos celebres em que o cabo de vassoura, enquanto madeira e com várias possibilidades para o futuro, imagina quais "profissões" ele pudesse ter, talvez se tornar uma obra de arte esculpida pelo Aleijadinho ou o casco de um navio que viajaria o mundo, o que certamente seria mais emocionante do que se tornar um caixão de defunto, por exemplo. Gosto de ressaltar que imagino que, para quem já foi árvore, mesmo aquelas que não rendem muito lucro para os homens, mas ainda assim uma árvore, deve ser absurdamente frustrante ser condenado a passar a vida varrendo o chão.
Curiosidade: quando li, em um momento da história, percebi certas semelhanças entre alguns elementos da história com o filme Toy Story, da Pixar. Seria pura coincidência?
Desafiado: Matheus. Ele será o desafiado pelo simples fato de eu achar que esse livro combina muito com ele. Matheus, se ainda houver uma vaga na sua lista de futuras leituras, leia Memórias de Um Cabo de Vassoura.
Dia 12-11-2018 / Segunda-feira / Livro Azul
Título: O Gigante enterrado
Título Original: The Buried Giant
Autor: Kazuo Ishiguro
Ano da Publicação: 2015
Editora: Companhia das Letras
396 páginas
Leitura: Abril/2016
O livro azul! Acho que não existe no mundo (ou, pelo menos, no Brasil) um livro mais azul do que essa edição de O Gigante Enterrado. Minha história com esse livro é simples, porém gratificante. Em primeiro lugar, vi a capa e ela me conquistou imediatamente com seu ar de fantasia. Em segundo lugar, o autor chamou minha atenção, um japonês que se mudou para a Inglaterra ainda criança, premiado e aclamado (na época, ele ainda não havia ganhado o nobel). Em terceiro lugar, a sinopse intrigante. Aí, eu senti a confirmação de que precisava daquele livro. Fiquei alguns dias de olho nas promoções, e por obra de algum benfeitor sobrenatural, o desconto veio e eu comprei e comecei a leitura assim que ele chegou. A história acompanha a viagem de um casal de idosos, Axl e Beatrice, que sai em busca de seu filho de quem mal se lembram. As lembranças, a memória individual e coletiva, têm papel importante na trama. A tal falta de lembranças não é um evento acidental. Ela supostamente é causada por influência de uma dragoa que produz uma nevóa que, ao se espalhar por toda a região, estaria fazendo com que as pessoas esquecessem, com que elas perdessem suas memórias. Daí, surgem importantes questionamentos, como o papel das lembranças felizes e tristes na construção e manutenção das relações sociais, familiares e até em aspectos intrapessoais. Como ficaria o amor ou mesmo o ódio em um mundo quase sem lembranças? O que justificaria esses sentimentos? Ao mesmo tempo que o valor das recordações é evidenciado, há também o outro lado, o papel do esquecimento, de deixar as coisas no passado, para que seja possível a continuidade de relações já desgastadas por equívocos e decepções antigas.
Desafiado: Higor. Será o desafiado da vez pelo simples fato de esse livro ser de um ganhador do Nobel.
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Nas Páginas: Samanta Schweblin, Garp, Alarcón, Capote e até um pouco de Boyne
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Nas Páginas: Tirza - Arnon Grunberg
A história de Tirza tem como estopim a festa de despedida da própria Tirza. Ela decidiu fazer uma viagem pela África com o namorado e uma festa de despedida foi organizada na casa dela. À medida que os preparativos e a própria festa vão se desenrolando, porções decisivas do passado de Jörgen, pai de Tirza, e dos outros familiares, a irmã e a mãe, vão surgindo. Cada um desses flaskbacks vai colorindo a situação crítica que apenas é vislumbrada a partir da trama que está se desenvolvendo no presente. É o passado que vai preenchendo as lacunas e adensando a previsão de que Jörgen vai explodir e sujar tudo a sua volta de sangue e miolos.
Título Original: Tirza
Autor: Arnon Gunberg
Tradução: Mariângela Guimarães
Editora: Rádio Londres
Páginas: 501
Ano da edição: 2016


































