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sábado, 14 de março de 2020

No Cinema: Maratona Oscar 2020

Embora o blog estivesse desativado na época do Oscar 2020, a maratona aconteceu. Na verdade, acho que essas maratonas do Oscar vão se tornar parte essencial da minha vida. Então, diante desse meu compromisso com forças cósmicas de que veria todos os filmes indicados a melhor filme, assisti aos nove indicados. 

Mesmo antes da lista de indicados sair oficialmente, eu já havia assistido a 2 filmes que acabaram integrando os indicados, Coringa e Parasita. Coringa, inclusive, assisti no cinema. Faltavam, então, 7 filmes. Tenho que admitir que foi muito fácil sair vitorioso da maratona desse ano. Porque embora houvesse filmes que, por causa da temática não me pareciam muito apetitosos (estou falando de você, Ford vs Ferrari), todos acabaram superando as minhas expectativas (exceto um) e de alguma forma me agradaram. Tenho que registrar meu carinho especial por Adoráveis Mulheres (sempre será Mulherzinhas no meu coração) é por Jojo Rabbit. Não posso deixar de mencionar o meu descontentamento com o filme do Tarantino que acabou sendo o pior dessa safra para mim. 

É do conhecimento de toda a nação que Parasita foi o vencedor. O que me agradou por tratar-se de um ótimo filme e de produção coreana, ou seja, foi o primeiro Oscar de melhor filme de todos os tempos para um filme de língua estrangeira. No entanto, não me sinto totalmente seguro quando penso nele como o melhor filme de 2019, mas também não sou capaz de encontrar argumentos o suficiente para desqualificá-lo. Fiquei com pesar de O Irlandês ter saído sem prêmios, pois, apesar de muito longo, é um grande filme e do no máximo razoável Toy Story 4 ter roubado o reconhecimento de Klaus, minha animação queridinha e não Disney de 2019.



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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

No Cinema: Maratona Oscar 2019

Chegou o dia de começar a segunda maratona do Oscar do Uai Lipe!!! Viva!!! Ter conseguido assistir a todos os filmes indicados na categoria de melhor filme do Oscar 2018 foi muito gratificante, ainda mais que também consegui escrever sobre quase todos eles. Pretendo repetir a dose neste ano (e em todos os anos vindouros da minha vida) . Assistirei aos filmes aos poucos e a medida em que eu assistir e escrever sobre eles, colocarei os links com os respectivos textos nesta postagem. Preciso dizer que o único filme dos indicados ao qual já assisti foi o Pantera Negra e acredito que reassistirei para poder escrever sobre ele com mais propriedade. Então segue uma lista com os filmes indicados ealgumas informações sobre eles.


OSCAR 2019

INDICADOS A MELHOR FILME

A FavoritaThe FavouriteYorgos Lanthimos10 indicações
Bohemian RhapsodyBohemian RhapsodyBrian Singer5 indicações
Green Book: O GuiaGreen BookPeter Farrely5 indicações
Infiltrado na KlanBlakkklansmanSpike Lee6 indicações
Nasce uma EstrelaA Star is BornBradley Cooper8 indicações
Pantera NegraBlack PantherRyan Coogler7 indicações
RomaRomaAlfonso Coarón10 indicações
ViceViceAdam Mckay8 indicações













































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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

No Uai Lipe: Coisas de 2018



Quase um ano de blog. É assustador pensar o quanto o tempo passou rápido e na forma tortuosa como a vida nos trouxe a 2019. Apesar de, em algumas vezes, sentir como se estivesse escrevendo apenas para mim mesmo, o blog cumpriu com excelência a tarefa de fazer com que eu conhecesse mais a mim mesmo e pudesse "falar"sobre coisas que amo (mesmo que não tenha muitas pessoas lendo). Mesmo me frustrando algumas vezes por não conseguir produzir conteúdo no ritmo em que gostaria, o Uai Lipe soube como dosar a cobrança e o incentivo, o que me fez trilhar, sobre livros, filmes, séries e reflexões, um 2018 muito interessante. Talvez, a trilha de 2018 não tenha sido mais produtiva ou valorosa do que a dos outros anos, mas o  blog possibilitou que eu tivesse um pouco mais de consciência daquilo pelo que passei. Pesquisar mais sobre os livros que li, sobre os autores, registrar as minhas impressões no blog, fez com que minhas leituras fossem mais significativas. Lembro-me com mais propriedade dos livros que li neste ano e isso é muito recompensador.

Vencido a debilitante melancolia e nostalgia do fim de ano, sinto-me capaz de refletir sobre as conquistas e as frustrações que aconteceram neste blog em 2018.

Em primeiro lugar, uma conquista que me deixa muito satisfeito, foi a maratona do Oscar. Consegui assistir a todos os indicados na categoria de melhor filme e escrever sobre quase todos (7 dos 9). E fiz tudo isso antes mesmo da noite de premiação! Foi uma experiência que quero repetir para sempre e a cada ano. Espero que neste ano eu consiga também assistir a todos os indicados e, dessa vez, consiga escrever comentários sobre cada um.

Em segundo lugar, está o ambicioso projeto de leituras de 2018. Nesse caso, foi um misto de sucesso e fracasso. consegui cumprir a leitura da maior parte dos livros propostos, mas alguns importantes ficaram de fora. Fiquei devendo: um livro do Dostoiévski (apesar de ter lidos umas 10 páginas de Crime e Castigo, não continuei); a tetralogia do Cemitério dos Livros Esquecidos (desculpe, Zafón); O Livro do Juízo Final da Connie Willis (saber que esse livro faz parte de uma série e a enxurrada de críticas negativas me desmotivaram); a conclusão da trilogia do Mar Despedaçado, com o livro Meia Guerra do Joe Abercrombie (eu tentei e tentei e tentei, mas meu espírito não estava para fantasia, infelizmente); a graphic novel Habibi do Craig Thompson (ela está na minha mesa, mas não foi a hora dela); a continuação da minha leitura de Sandman e a leitura de Promethea (espero que eu não tenha pesadelos) e, por fim, a leitura de Atlas de Nuvens do David Mitchell. Talvez, eu devesse ficar triste por causa de tantas dívidas comigo mesmo, mas não estou. Dessa vez, surpreendentemente, a satisfação foi maior do que o peso das derrotas.


Os dois grandes fracassos vêm em terceiro lugar. A leitura conjunta de Wicked, que ficou até sem um desfecho no blog, e a leitura do livro Histórias para Crianças do Issac Bashevis Singer. Embora eu tenha terminado a leitura de Wicked no prazo e cumprido o cronograma, os outros participantes desistiram e não terminaram a leitura (apenas o Matheus conseguiu chegar até o fim, mas com algumas semanas de atraso). Tenho que admitir que o livro, apesar de ter momentos muito interessantes, não faz jus a tudo o que eu havia lido, assistido e ouvido acerca dessa história. Elfaba, desculpe, mas seu livro não é bom. Senti o impacto desse fracasso, e até um pouco de culpa, mas superei e já estou querendo o volume 2 de Wicked (mentira!). Já a leitura de um conto por dia do livro do Bashevis foi um fracasso daqueles que vai fazer com que eu me torne um fantasma e venha assombrar as pessoas, caso eu não termine esse livro neste ano. Li poucos contos e acabei deixando o livro para lá. Uma das razões para que isso tenha ocorrido, além da minha pura e simples falta de foco, foi a minha decepção com alguns contos. Parte deles é muito simples, repetitiva e parece ter sido escrita para ser ouvida e não lida. Sim, mais dois fracassos vergonhosos para a conta de 2018.


Outro fracasso foi eu não ter conseguido lidar com minha lista de TV, com séries e animações. Eu simplesmente não soube como manter essa lista atualizada e acabei deixando ela de lado na maior parte do ano. Embora ela continue no menu do blog, o que está listado ali não condiz com tudo o que assisti em 2018. Já as listas de leituras e filmes estão plenamente atualizadas e lindas, amém. Espero que neste ano eu possa encontrar uma forma de manter a lista de TV atualizado e operante.

Gostaria de comentar também sobre as postagens de que mais me orgulho de ter feito. Em primeiro, a postagem "Lembra do Realismo Fantástico?". Ela me deu um trabalho muito gostoso para escrever e fez com que eu me lembrasse de livros que li há bastante tempo e de incluir alguns livros e autores, que estavam esquecidos, na minha lista de quero ler. E o livro de um desses autores, uma autora, na verdade, foi a minha melhor leitura do ano. Apesar de eu não ter conseguido fazer uma postagem que fizesse jus ao quanto amei A Casa dos Espíritos, preciso deixar claro que eu gostei, adorei esse livro. Sou muito criterioso para marcar um livro como favorito no Skoob, tenho apenas 2 favoritados lá e há muito tempo A História Sem Fim foi meu único livro marcado como favorito, agora, A Casa dos Espíritos também está lá com seu coraçãozinho. Outra postagem de que gostei de fazer foi a de "7 filmes em 1 semana". ao longo de uma semana vi 7 filmes dos anos 80 e 90 junto com alguns amigos do facebook. Foi uma experiência legal rever ou conhecer esses 7 filmes e escrever pequenos textos sobre cada um deles.



Espero que em 2019 este blog continue sendo meu companheiro e que eu possa repetir o que me trouxe satisfação, encontrar novas formas de sucesso e transformar os fracassos em combustível para novos acertos. Foram 35 postagens publicadas, algumas ficaram só no rascunho, e desejo que em 2019, eu possa fazer ainda mais. Certamente haverá outra maratona do Oscar e, em alguns dias, o projeto de leituras 2019 aparecerá por aqui.

Sejamos felizes!


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segunda-feira, 21 de maio de 2018

No Cinema: 7 filmes em 1 semana


Decidi assistir Entre os dias 29 de abril e 05 de maio a filmes dos anos 80 ou 90. Seria uma semana de filmes, sendo 1 filme por dia. Então selecionei os sete filmes a partir de algumas sugestões e levando em conta filmes aclamados que eu ainda não havia visto ou não havia terminado de ver ou já havia esquecido da história. Com a lista dos filmes determinada, fiz uma postagem na página do blog no facebook e em meu perfil pessoal convidando as pessoas a participarem. Alguns amigos toparam fazer a maratona e ao longo da semana assistimos aos filmes. Agora chegou a hora de comentar sobre cada um deles.


O Feitiço de Áquila foi o primeiro escolhido. Eu havia assistido a esse filme na infância e não me lembrava quase nada dele, além da trama básica do casal que não podia ser feliz por causa de uma maldição que os impedia de ficar juntos. Durante o dia, Isabeau se transforma em falcão, enquanto Navarre, seu amado, é humano. Quando anoitece, Navarre assume a forma de um lobo e Isabeu volta a sua forma humana. Nas formas animais, eles não têm consciência de quem são e também não são capazes de reconhecer seus amados. Uma coisa interessante é que o personagem que mais me encantou nesse filme, Phillippe Gaston, interpretado por Matthew Broderick, havia sido apagado completamente da minha memória. Eu nem mesmo me lembrava que ele existia. Gaston é o personagem que faz a história se movimentar, apesar de inicialmente não ter nenhuma relação com a maldição do casal. Não há maiores explicações sobre a maldição, sabemos apenas que foi rogada pelo Bispo de Áquila. Assim é o sobrenatural no filme. Apesar de inexplicável, não parece ser encarado como algo tão absurdo e incomum. Outro ponto que eu não poderia deixar de mencionar é que o dilema do Bispo lembra o do Juiz Frollo de "O Corcunda de Notre Dame" da Disney. Enquanto Frollo é obcecado por Esmeralda, o Bispo é doentiamente fascinado por Isabeau.


A Morte lhe Cai Bem foi o segundo filme. Lembrava-me de já ter visto esse filme em algum momento nebuloso no Cinema em Casa do SBT. De algumas coisas eu ainda me recordava, mas acabei descobrindo que, na verdade, eu não me lembrava de quase nada. O embate entre Madeline (Meryl) e Helen (Goldie) é hilário, bizarro e perturbador, recheado de cenas improváveis que podem soar de mal-gosto para os desavisados. Embora o humor negro esteja presente em grande parte do filme, é quase impossível manter-se insensível diante das atrocidades pelas quais as personagens passam. Temos discursos claros como a crítica à busca exagerada pela beleza e ao preço alto que algumas pessoas são capazes de pagar para que tenham um pouco de sua juventude preservada (ou restabelecida, como no filme), temos o retrato de personagens que anularam suas vidas em prol de suas obsessões. Na primeira parte do filme, pensei que teríamos um embate entre uma mocinha injustiçada e uma vilã maquiavélica, que o filme retrataria uma história de vingança (Madeline vs Helen). No entanto, o que temos é o confronto de duas vilãs no estilo de amigas e rivais.


O terceiro filme foi Um Sonho de Liberdade. Sempre quis ver esse filme! Mas por alguma força sobrenatural não havia conseguido até essa bendita terça-feira. Gostei muito dele e concordo com todos os elogios que já ouvi. Os personagens são cativantes, a história de superação é empolgante e ver os antagonistas se dando mal é MUITO gratificante. Uma das discussões que o filme propõe que mais chamou minha atenção foi acerca das pessoas que perdem seu vínculo com o mundo do lado de fora dos presídios e como aquele pequeno universo à parte do mundo externo se torna toda a sua realidade. Os valores do mundo exterior, os papéis sociais, os empregos, as ligações familiares, o valor do dinheiro, tudo isso se perde ou se reconfigura, segundo as leis, necessidades e possibilidades da cadeia. Lá dentro, há um pequeno novo mundo e, quando se passa muito tempo nele, o mundo de fora é que se torna inóspito, confuso e selvagem. Os detentos constroem novas vidas nas cadeias e quando lhes é permitido deixar aquele lugar, o que deveria ser uma grande bênção, acaba por se tornar uma maldição. Eles são obrigados a encarar um mundo exterior do qual eles não fazem mais parte. O medo de ser livre outra vez.


No dia primeiro de maio foi a vez de Tudo Sobre Minha Mãe. Esse filme caiu como uma bomba no meio da semana. Um filme do Almodóvar que demonstra toda a mágica desse diretor incrível. Essa mágica que costura personagens inteiros e humanos, que brinca, embaralha e expõe preconceitos escondidos, que surpreende com a praticidade como os personagens lidam com situações possivelmente complexas. Esse filme nos faz refletir sobre nossa (ou minha) incansável vontade de organizar, classificar e lidar com a vida como se fosse algo que pudéssemos controlar e compreender perfeitamente. Tudo Sobre Minha Mãe grita em nossos ouvidos que a vida é um caos, a vida é improvável. Viver é fazer o melhor com o que temos agora, viver bem é enxergar o mundo com toda a simplicidade que pudermos. A simplicidade é a melhor forma de passear e viver no caos. Gostaria de pontuar o que foi para mim uma das melhores e mais gostosas cenas do filme. O momento em que temos uma mãe meio sem rumo, uma freira grávida, uma travesti maluquinha e uma atriz famosa porém amorosamente frustrada dividindo uma garrafa de bebida (a grávida não bebeu). Almodóvar, obrigado.


O Quinto filme foi Forrest Gump. Desconheço um filme que reúna tantos elementos que me desagradam: 1) futebol americano; 2) campo de combate na guerra; 3) barco e pescaria; 4) corrida interminável por todo o país. Apesar de todas as previsões de que o filme da quinta-feira seria um fiasco, gostei muito dele. Há várias questões interessantes e a forma como Forrest encara a vida é inspiradora. Ele não entende a vida (e quem entende?), mas vive da melhor forma que pode. Há vezes em que as coisas dão certo e outras em que tudo dá errado. Forrest tem uma força de vontade inabalável, que nem mesmo a guerra, a morte, o fracasso ou a incerteza acerca do futuro são capazes de minar. Forrest também têm uma quase infinita simplicidade. Ele se importa mais com o presente. Passado e futuro não são esquecidos, mas a pergunta que ele sempre busca responder é "e agora?". O agora, o que está acontecendo, o presente.


Na sexta tivemos O Cemitério Maldito. Que  filme inquietante! Filmes de terror antigos possuem um clima diferente. Eles transmitem um desconforto incomum, algo que incomoda. Não sei explicar ao certo, mas esse filme me pegou com esse ar indigesto, grotesco, estranho. Digo que é um filme difícil de mastigar, é desagradável. O desespero do pai para salvar seu filho da morte, mesmo sabendo das consequências que isso poderia ter, é muito interessante. A parte sobrenatural endossa a inquietude do filme. O tal cemitério existe e fim. Ele é assim e fim. Não há explicações, nem tempo para que algumas coisas sejam questionadas. Achei algumas coisas meio pesadas, por exemplo, o filho demoníaco revivido no cemitério é sádico e debocha de suas vítimas. Certamente esse garotinho vai para o seleto rol de crianças endemoniadas, assassinas e do mau. Outro ponto que eu gostaria de destacar é o quanto o vizinho que mora do outro lado da rodovia me incomodou. Eu jurava que ele seria o assassino ou o capeta ou algo assim. De alguma forma, foi ele quem plantou a semente do cemitério maldito no pai e o medo se encarregou de regá-la. Fica uma lição para a vida: reviver pessoas enterrando-as num cemitério indígena não é uma solução viável.


Por último, Magnólia. Mais de 3 horas! Que personagem escroto! Mas que filme extraordinário! Um filme com várias histórias que se esbarram apenas levemente, no entanto, todas possuem personagens que estão no limite. Os personagens de "Magnólia" parecem estar vivendo já há algum tempo em uma situação delicada, um equilíbrio ilusório. Parece que todos suportaram situações, tensões, incertezas, frustrações, medos, abusos durante muito tempo e não cabe mais nada, não aguentam nem mais 1 minuto. Todo aquele peso está por um triz de explodir. É pesado, é triste, é real. Ver o sofrimento físico, emocional e psicológico daqueles personagens, ver a luta solitária, muitas vezes silenciosa, que eles travam, que, muitas vezes, nós mesmos também travamos, é pesado, nos esmaga. Apesar de abordar essa trajetória até o desesperador momento em que as vidas das pessoas explodem (quase literalmente), o filme vai além. "Uma chuva de sapos". As coisas não acabam quando explodimos, quando caímos, quando nos desequilibramos. Magnólia mostra isso, que o momento em que perdemos o controle por não suportar mais é a possibilidade de um novo equilíbrio, possivelmente mais fácil de suportar.

Esses foram os 7 filmes dessa semana de filmes. Espero poder fazer outras maratonas e trazer mais comentários sobre os filmes.

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sábado, 3 de março de 2018

No Cinema: O Destino de Uma Nação



Eu já sabia que O Destino de Uma Nação trataria de um dos momentos mais críticos da primeira passagem de Winston Churchill pelo cargo de primeiro ministro britânico, no entanto, eu não imaginava que seria tão interessante ver essa personalidade, esse cenário e um trecho dessa história reinterpretados. Meu contato com o Churchill não é extenso. Você pode se perguntar: o Fillipe é alienado e não sabe nada de história mundial? Eu respondo que provavelmente sim. Conforme o que me lembro, vi uma representação do Churchill pela primeira vez em um episódio de Doctor Who. Se não me engano, ele participa de mais de um episódio da série. Nesse primeiro contato, já deu pra ter uma ideia de sua personalidade pitoresca e de sua importância para a vitória ocidental na Segunda Guerra, sem esquecer, de sua contribuição para o desenvolvimento britânico. Depois, veio The Crown. Foi nela que conheci Churchill melhor e ele é, sem dúvida, um personagem intrigante. Assim, assisti a O Destino de Uma Nação esperando por uma personagem com, pelo menos, algumas daquelas peculiaridades que eu já conhecia.



O filme conta um recorte da vida de Winston Churchill a partir do momento em que ele, quase por falta de opção e contra a opinião de alguns, é escolhido como sucessor ao cargo de primeiro ministro britânico. A situação não poderia ser pior, os aliados estão em um momento desfavorável na guerra e o novo primeiro ministro teriá que lidar com a pressão do gabinete de guerra acerca de um possível acordo de  paz com Hitler e tomar decisões polêmicas e decisivas.  Logo no início, como que para avisar aos que não conhecem o jeitinho do Churchill, temos uma amostra das manias, exageros e destemperos do primeiro ministro. A personalidade do Churchill e a postura polêmica e radical que ele assume diante dos problemas é a força motriz da história e o filme se constrói a partir disso, da forma como Churchill lida com os problemas relacionados à guerra e dos conflitos morais  e pessoais que começam a assombrá-lo.



Há dois pontos sobre os quais eu gostaria de comentar. Primeiro a perspectiva dada à operação Dínamo. Eu havia sido apresentado a essa operação em Dunkirk, também indicado ao Oscar de melhor filme. Mas, nele, conhecemos a parte "de campo" do processo. Acompanhamos a convocação dos barcos civis por parte do rei e o resgate dos soldados encurralados. Em O Destino de Uma Nação, a abordagem é outra, vemos todos os impasses, incertezas e intrigas que se envolveram até que essa operação fosse executada. Descobri que ela foi fruto de um grande conflito e de seu sucesso dependia não só a sobrevivência de grande parte do exercito aliado, mas significava um passo importante na caminhada rumo à vitória do ocidente. Churchil foi quem encabeçou o planejamento da operação e teve que sacrificar a vida de alguns soldados para que muitos outros fossem salvos. Mais uma decisão controversa para o currículo do primeiro ministro. O segundo ponto são algumas tentativas exageradas de aproximar Churchill do povo, de fazê-lo mais humano e popular. Confesso que fiquei até um pouco constrangido na cena em que o primeiro ministro pega o metrô e conversa com algumas pessoas comuns. Para mim, essa cena soou muito piegas e faltou o bom gosto que está presente no restante do filme.



O Destino de Uma Nação é um recorte biográfico da vida de uma das maiores personalidades mundiais. Experimentamos um pouco da personalidade pitoresca e uma pitada da grosseira de Winston Churchill , além de acompanhamos sua difícil tarefa como primeiro ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial. Embora tenha conseguido dosar muito bem os elementos e recursos que humanizaram e trouxeram a figura do primeiro ministra mais para perto do povo, há momentos em que essas situações humanizantes perdem a verossimilhança e tentam, de forma equivocada, emocionar ao público produzindo cenas um pouco desconcertantes. Não posso deixar de elogiar a atuação de Gary Oldman, como Churchill, e o trabalho de caracterização convincente da equipe de maquiagem. Confesso que O Destino de Uma Nação foi melhor do que eu imaginei que seria e, além disso, fez com que eu gostasse mais de Dunkirk, por mostrar os bastidores da operação Dínamo. Digo que ele vale muito a pena e que um ótimo reencontro com o distinto Winston Churchill.


Dados Técnicos:

Título: O Destino de Uma Nação
Título Original: Darkest Hour
Direção:  Joe Wright
Ano: 2017
Duração: 2h 05min
Elenco Principal: Gary Oldman (Wiston Churchill), Kristin Scott Thomas (Clemie), Ben Mendelsohn (Rei George VI), Lilly James (Elizabeth Layton)





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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

No Cinema: Dunkirk


Filme de guerra (acho que até existe uma categoria especial de filmes com esse tema, né?). Minha relação com eles nunca foi muito próxima. Sempre hesitei em assisti-los, mesmo aqueles que são considerados, quase unanimemente, filmes maravilhosos, como O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler. Apesar disso ser uma realidade pra mim, a de não me empolgar muito com filmes de guerra, não convém julgá-los como se todos fossem iguais. Filmes que retratam consequências de guerras (ou seus antecedentes), o quanto ela influenciou as pessoas e as tramas e intrigas que constituíram o conflito em questão me interessam mais. Ao passo que o campo de combate, a peleja dos soldados, aquele caos de tiros e explosões não me cativa. Acho que Dunkirk se encaixa em uma zona intermediária, em que encontramos uma boa dose de sofrimento e confusão do campo de batalha, mas também a tensão pós-combate, em que observamos as consequências imediatas para as pessoas que de alguma forma se envolveram na guerra.


O filme situa-se em um momento controverso da Segunda Guerra Mundial em que as forças aliadas, francesa e inglesa, foram cercadas pelas tropas alemãs nas  praias de Dunkirk. Assim, os soldados encurralados tiveram que esperar pela ineficiente operação de evacuação.  Com esse panorama, o filme se estrutura em três narrativas. A primeira foca em um grupo de soldados, entre milhares de outros,  que está esperando ser resgatado pelos navios militares ingleses. Eles estão desnorteados e debilitados, encurralados e sendo alvo de tiros e bombardeios aéreos. Cada momento que acompanhamos de luta pela sobrevivência é angustiante. Eles são capazes de qualquer coisa, de qualquer ato desesperado para escapar dali. Vemos momentos em que o primitivo e verdadeiro extinto de sobrevivência assume total controle daqueles soldados. A segunda narrativa, também envolvendo a guerra diretamente, trata de uma perseguição áerea, numa região próxima de Dunkirk. A terceira narrativa aborda o recrutamento de barcos civis para auxiliar no resgate, pois os navios militares não serão o bastante. Ao ter seu barco de passeio solicitado, um senhor decide que ele mesmo comandaria a embarcação na missão e leva consigo o filho e um amigo. As três narrativas ocorrem quase simultaneamente, desenvolvem-se de forma semelhante, compartilhando momentos de  lentidão e também os de tensão, e convergem para o momento em que o resgate dos soldados ocorre de fato.










Sobre as três narrativas paira a busca pela sobrevivência de si mesmo ou do outro. Ela é a força que move a história e une as narrativas, mesmo quando elas ainda estão distantes espacialmente. Os personagens perdem seus nomes no caos, alguns no ambiente caótico da guerra em si, outros no clima aterrador e inseguro que se instalou em toda parte. São apenas desconhecidos lutando para sobreviver ou para possibilitar que o outro sobreviva, são pessoas agindo da melhor forma que a situação crítica lhes permite, guiando-se apenas por uma força que os faz lutar incansavelmente pela vida. Não há armas, não há patriotismo, não há uniforme, não há orgulho e nem glória, a sobrevivência é egoísta e urgente. Quando ela é ameaçada, as pessoas tornam-se inabaláveis e capazes de coisas incríveis e horríveis. Há um momento interessante no filme, já mais próximo do final, dois soldados sobreviventes conversam, um pouco temerosos, sobre como seria a recepção deles em suas cidades. Eles se questionam: há alguma glória em sobreviver? Manter-se vivo, escapar, significa vencer? As dúvidas dos personagens não demoram a ser sanadas e a vitória, por meio da sobrevivência, triunfa.


Dunkirk é um filme de guerra. No entanto, ele não trata diretamente do campo de combate, mas de uma situação pós-conflito e também retrata o envolvimento de civis na guerra. Ao mesmo tempo que tenta fazer com que nos aproximemos dos personagens e nos sintamos tão presos, encurralados quanto eles, Dunkirk nos entrega personagens principais quase completamente anônimos, como se fossem representantes escolhidos aleatoriamente entre os vários personagens que possivelmente tiveram o mesmo papel na história, entre os civis, entre os soldados e entre os pilotos. A luta pela sobrevivência norteia todo o filme. Enquanto alguns personagens se esforçam ao máximo para preservar suas próprias vidas, outros buscam contribuir para a sobrevivência dos outros. Embora o filme não tenha me cativado e, apesar da violência a que são submetidos e do sofrimento de alguns personagens, não consegui me emocionar. Quanto às questões técnicas, a linguagem cinematográfica empregada no filme é seca e sisuda, a harmonia entre as três narrativas atribui um ritmo instigante à história, o tom realista e as cores desbotadas fazem da experiência de assisti-lo algo muito interessante.

Pensando sobre o filme, veio me a reflexão de que, no final das contas e apesar de tudo, só queremos sobreviver. Mas de onde vem essa vontade tão forte de continuarmos vivos?


Dados Técnicos:

Título: Dunkirk
Título Original: Dunkirk
Direção:  christopher Nolarn
Ano: 2017
Duração: 1h 46min



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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

No Cinema: Corra!


O quinto filme da maratona foi Corra! (Get Out, no original). Ele foi lançado já há algum tempo, mas acabei vendo só durante a maratona. Por isso, eu já sabia alguma coisas sobre o filme. A primeira informação era que tratava-se de um filme tenso de roer as unhas. Na verdade, não foram exatamente os comentários das pessoas  que me fizeram descobrir isso, pois os cartazes do filme já transmitiam muito bem essa ideia. Outra coisa que ouvi muitas pessoas dizendo era sobre a qualidade do filme. Não foram poucas as vezes em que vi nas redes sociais "filme do ano!" ou "maravilhoso!". Com tantas opiniões positivas, como não deixar a expectativa sair do controle? Deixar a empolgação passar, é claro. Depois de alguns meses, os elogios não estavam mais tão fresco e consegui assisti ao filme com um pouco mais de neutralidade. E isso fez muito bem para minha experiência.


O filme conta a história de um casal de namorados que decide passar o final de semana na casa dos pais da garota. Poderia ser um final de semana tenso só pelo fato de o namorado conhecer a família de sua namorada? Sim, poderia, entretanto, há algumas questões que deixam Chris um pouco mais inseguro. Além de ser o grande momento em que conheceria a família de Rose, há o fato de ele ser negro e a família dela ser branca, tradicional e conservadora. Apesar de ela afirmar convictamente que ninguém da família é racista e que receberiam Chris muito bem, ele, mesmo concordando em ir, continua desconfortável. A visita prossegue e, já na viagem, começam a acontecer coisas estranhas. A família de Rose é amigável e cheia de boa vontade, porém é estranha; os funcionários da casa são simpáticos, porém estranhos; a casa é linda, porém estranha; os amigos da família se esforçam para parecer legais, mas são inteiramente estranhos. A estranheza está por toda parte e, aos poucos, várias situações bizarras começam a acontecer. Toda aquela bizarrice vai se adensando e até mesmo pessoas em quem Chris acreditava poder contar, começam a se envolver numa espécie de plano do qual só ele não faz parte. Tudo isso, os diálogos improváveis, as suspeitas, as atitudes incoerentes, culminam em eventos desesperadores e doentios, os responsáveis por nos fazer, quase literalmente, roer as unhas. Chris descobre que, talvez, ele fosse a parte mais importante do plano.


Corra! foi vendido como um filme de terror sobre racismo, no entanto, ele não consegue se aprofundar nesse ponto. Temos situações em que questões racistas são levantadas, como na festa em que Chris é apresentado para a pequena sociedade privada, rica e de brancos da qual os pais de Rose parecem ser os líderes. No entanto, apesar de serem pertinentes, o filme não as desenvolve de forma eficiente e, com um evento que ocorre perto do desfecho, elas me apareceram ainda mais desestruturadas. Apesar de não serem elaboradas com a perspicácia que mereciam, vemos diversas cenas desconcertantes em que os convidados da tal festa tentam provar-se não-racistas e, mesmo soando um pouco absurdas, ainda mais tratando-se daquelas pessoas bizarras, situações como aquelas acontecem frequentemente e muitas pessoas não percebem a gravidade desse tipo de postura (vide a fala: "até tenho amigos que são negros").


Por fim, digo que Corra! cumpre o que eu havia ouvido sobre ele antes de assisti-lo, pelo menos, a parte de que o filme seria de roer as unhas. É um filme tenso, um suspense que nos deixa curiosos para descobrir o que há por trás do comportamento anormal de seus personagens. No entanto, ele não cumpre satisfatoriamente o papel de abordar e criticar comportamentos racistas. As críticas estão lá, mas elas não são desenvolvidas da forma significativa que lhes caberia. Apesar de algumas inconsistências na narrativa, de revelações desnecessárias em momentos decisivos e de, ao meu ver, usar algumas soluções fáceis demais para alguns conflitos, o filme apresenta uma história envolvente e inquietante. Em geral, achei as atuações boas, gostaria de pontuar a atuação da atriz  Catherine Keeper, que faz Missy, mãe de Rose, que consegue transmitir uma sensação de calma e sobriedade, mas ao mesmo uma frieza e uma ausência de sentimentos, e também a atuação do protagonista Daniel Kaluuya que conseguiu fazer com que eu me sentisse tão encurralado e perdido quanto seu personagem. Corra! é um filme interessante, de um tipo que não costumamos ver entre os indicados ao Oscar, ainda mais na categoria de melhor filme. Só por isso já vale a pena a pena dar uma chance para ele. Depois de assistir ao filme fica clara a resposta à pergunta: a combinação de terror e discussões sobre o racismo é inusitada? Talvez, seja menos do que imaginemos à primeira vista. Não é preciso uma situação hipotética e fictícia para demonstra o quanto o racismo é nocivo. O racismo por si  mesmo já é um terror que assombra, aprisiona e tortura muitas pessoas.


Título: Corra!
Título Original:Get Out
Direção:  Jordan Peele
Ano: 2017
Duração: 1h 44min
Elenco Principal: Daniel Kaluuya (Chris Washington), Allison Williams (Rose:Armitage), Catherine Keener (Missy Armitage),  Caleb Landry Jones (Jeremy Armitage), Bradley Whitford (Dean Armitage)




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